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14 de março de 2012

Uma escuta, em linhas.


Não sei exatamente como começar.
Está tudo aqui dentro, observando-me.
Não adianta disfarçar com cegueira inventada, pois lateja, pulsa e se debate,
feito peixe ainda vivo quando retirado da água por nossas mãos.
Rejeito o enfado e me desloco procurando as pegadas deixadas por Deus na poesia.
Tudo que é transcrito pela arte, eterniza-se. - O prazer doído, a alma intelegível,
 a espera que atravessa às noites.
Eu sou das que não tem meio-riso, sorrio inteira.
Escrevo sobre as horas que fazem serão nos olhos e covinhas nas minhas bochechas.
Quem ousa dizer a verdade a si mesmo? A poesia ousa.
Ela rasga-me como bisturi afiado e chega as minhas verdades;
redimindo as "pecadoras" e exaltando as "angelicais".
Já tornei público que o que escrevo chega antes de mim,
 se refaz,
e aguarda-me para um abraço.
Abraço que conta tudo que sabe, sem dizer nada, 
dizendo tudo.

13 de março de 2012

Deixando acontecer...


 Só vontade de ser feliz!

12 de março de 2012

Plenitude


"As razões têm essa mania de serem discretas."

Foi uma vez...


"E viveram felizes para sempre. Mas não um com o outro... Porque a vida tem dessas coisas."

=)

7 de março de 2012

Dentro/Fora



Vejo os dias amanhecerem um a um
e eu arrastando papéis em meus pensamentos.
Atravessam os dias fazendo barulho sobre meus telhados
e tudo que está aqui dentro vai lá pra fora buscando espaço.
Tenho comigo uma coleção de pensamentos longos,
 curtos, silenciosos, barulhentos,
de todos os tipos e é claro, os meus preferidos.
 Alguns pensamentos eu tentei acompanhar,
 mas nunca consegui, pois se dissiparam em suspiros,
feito vento disperso, trasportando à vontade de ir com a mochila nas costas.
Há aqueles que procuro evitar inutilmente
 e fico tentando arrumar essa minha transparência
 que as vezes é tão fácil de ser confundida, penso eu.
Existem pensamentos que tentam se esconder dentro da xícara de café, no travesseiro, mas às vezes comentem o "grave erro" de se esconder na tinta da caneta.

5 de março de 2012

2 de março de 2012

De outro lugar

"Ei, quero te avisar que não fui embora.
Vou ficar por aqui um tempo, só olhando.
 Vou tirar a armadura e vestir meu casaco de pele invisível.
Eu não estou parada.
 Estou mandando amor de uma forma diferente."

24 de fevereiro de 2012

Varal


Coloquei as lembranças para lavar. Em breve, irão secar.

19 de fevereiro de 2012

E quando hoje for amanhã?


Será amanhã o dia de dizer as palavras?
Se assim for, o que direi agora?

"Fazer de conta e pedir estorno". Nem sempre a alma acompanha a champanhe do balde. "Meia luz de palavras" é algo de que preciso. Ouvi certa vez, que a palavra machuca. Eu mim, a ausência dela machuca mais. A falta quando mora ao lado me engole viva. Imaginação é bom, mas não para ser adotada como moradia. Desculpe Clarice, mas hoje não quero inventar verdades, estou precisando que certas coisas façam sentido, pelo menos aqui dentro, pelo menos pra mim. Já não sei se é o silêncio que guarda as palavras ou se as palavras é que guardam o silêncio. Mas uma coisa eu sei. Ambos me guardam.

24 de janeiro de 2012

Sem mais para o momento.

Conto

E com àquela boca, contou uma história de amor.

- Era pra dormir?

23 de janeiro de 2012

E assim é...

(...) Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda.
Uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: 'Onde cê tava? Tava sumida, morreu?'
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.



Elisa Lucinda - No Elevador do Filho de Deus. In O Semelhante, p. 205

21 de janeiro de 2012

Mente e coração.

Penso em você até nos dias ainda não anunciados no calendário.

16 de janeiro de 2012

Meu hoje.

Se tem algo que eu não entendo?
Tem sim.
Como é que não me apaixonei por você antes?


13 de janeiro de 2012

Contos de fadas.

Os contos de fadas não foram escritos para nos dizer que o amor existe.
A gente já sabe que ele existe.
Os contos de fadas foram escritos para nos mostrar que ele pode ter um final feliz.
Por medo, as vezes a gente esquece.

12 de janeiro de 2012

Amar é quase voar.


Drummond disse que a vida necessita de pausas.
Mas há coisas que eu acho que precisam mesmo é de asas.

11 de janeiro de 2012

Entrelaços em nós.

Sem nó
Um só
Dois nós
Nós dois
Entrelaçados
Laços com pernas
Abraço em laço
Aperto de perto
Presente hoje
Passado amanhã
Futuro sempre.
Coisas de quem sente.

10 de janeiro de 2012

Palavra dita.

" A palavra mais bonita
que eu já disse sobre o amor
foi seu nome."

2 de janeiro de 2012

Descubra-me lentamente.



"Em mim há uma infinidade de recortes, mas não sou arte que deve ser apreciada com pressa. Sou feita de detalhes antigos que carecem de contextualizações. Quem quiser que venha, mas antes se informe. Sou igual aos museus. Tenho horário para fechar."

24 de dezembro de 2011

Natal



"Se o Natal não for encontrado no seu coração,
 também não o encontrará debaixo da sua Árvore.”

Feliz Natal !!!

25 de novembro de 2011

O momento decisivo é o dedo na garganta!

E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta.
Caio F.

10 de novembro de 2011

Mesmo ainda no escuro, eu não erro o caminho.


Eu teria ido lá dar comida ao gato se eu tivesse um. Deveria ter deixado ao menos uma fresta da janela aberta, para às coisas não mofarem e o abandono não se formar junto com as teias de aranha. O pó do tempo não encobre nada. Ainda havia desassossego nos livros desarrumados. Ao retornar, passo meu olho quente sobre os guardados gelados, ando tão enfastiada do frio. O cheiro era o de sempre, feito digital. Também haviam coisas que pareciam existir de propósito. Eu, que  achava que os ruídos arrepiavam os pêlos do braço, percebi ali que o silêncio quando oco, faz isso também. Xícaras de café intactas sobre a mesa,  demonstram que apesar de esfriar, certas coisas são como as palavras, elas sobrevivem.

2 de novembro de 2011

Sob medida


Eu quero uma companhia de alegrias e fadigas. Que ande comigo e ajude a manter meu coração descalço. Que nossas fotografias abram os olhos para nunca parecerem indiferentes.  Nenhuma torre será alta demais e  nenhuma fada sera expulsa do conto.  Vamos  decretar  que as estrelas caem de maduras,  por isso o pedido precisa ser rápido, para não apodrecer no esquecimento.  Os ciúmes podem ser disfarçados e  os telefonemas do tipo "quero te ver".  Que a gente faça arte andarilha com nossos chinelos desempedidos de caminhar. Quero mudar o sabor do vinho ao beber junto. Confessar uma culpa que nem carrego, se isso o fizer sorrir. É preciso que não haja minutos de silêncios glaciais e que a nossa janela é que faça a paisagem. Que a gente não deixe a vida ser carrasca de nos gastar o tempo sem estarmos juntos. Preciso de alguém que pegue o dia desajeitado e o ajeite num passeio à dois de bicicleta. Que eu durma ao lado do telefone esperando ele tocar.  Uma companhia que tenha fome no olhar e que provoque cócegas nos meus olhos. Alguém que eu deseje ter ao lado ao acordar e que quando me olhe, eu pense: raras vezes na vida, alguém me olhou assim.

1 de novembro de 2011

Pés para sentir


Presta atenção:
Quanto os pés tateiam o chão
 é pra vê se a gente aprende
que o sentir
não tem contra-mão
ele corre livre
em estrada de terra com chão batido
onde o suspiro
canta seus  passos
porque nada enfada mais
do que manter os delírios em silêncio.

Ressurreição diária



Amar
é reinventar à dois
(todos os dias)
como brasa dormida que acorda.

22 de outubro de 2011

De qualquer modo...


Se, como é possível,
a poeira vier a cair sobre minha alegria.
 - Beije-me!
 E se não houver poeira, beije-me do mesmo modo,
 pois tudo deve servir de pretexto
 para teus lábios tocarem os meus.

Essa foi fácil!

 
"Aposto todas as xícaras cheinhas de café,
 que já pensou em mim várias vezes só hoje."
 

20 de outubro de 2011

Um convite ao sorriso!


 
Há pessoas que têm um arbítrio delicioso sobre nossos pensamentos.

17 de outubro de 2011

Tambores em silêncio.


Por fata de assunto ou excesso, "a caneta" calou.

Ja não sei a medida da bagunça indecorosa e de toda proximidade das roupas sobre a cadeira.
Sentimento mosaicado, com peças jogadas para todo lado.
As vezes a dessarumação é uma etapa eliminatória.
 [ Eventualmente indispensável para que as coisas tomem forma.]
Tenho dialogado comigo para dizer; mas logo em seguida, já não quero dizer mais nada.
Não quero "tagarelar". Quero apenas examinar a alma.
Considerar o vazio de fora, aqui dentro. [ "Escutar a chuva chegando"]
Tenho vento nas folhas.
Por dias, as palavras brincaram comigo de esconde-esconde.
Eu fiquei ali quietinha e não trapaceei.
 Meu espírito precisava ser encontrado... Foi por isso que se recolheu.

Estou aqui novamente.

14 de outubro de 2011

Explícito



"Não seria necessária mais nenhuma palavra
 um segundo antes ou depois
de dizerem ao mesmo tempo: — Quero ficar com você."

13 de outubro de 2011

Ainda fazendo a digestão.


As palavras tortas chegaram.
Ao invés de escrevê-las.
Eu as engoli.

28 de setembro de 2011

Sorrir não tem aspas.

O sorriso é a primeira/última verdade
 na qual respira o coração.

26 de setembro de 2011

Expressão

 
Começo a acreditar que as imagens têm pensamento.

Escrita anódina.




Não há escrita vaga.
Escrevo para conciliar o inconciliável.
Palavra entre multiplicidade e unidade. Incontornável.
Letras seculares, palavras-crença.
Presença real da fala em toda sua pertinência.
Escrever não só o vivido,
mas o vivido carregado de representação.
Escrita-marca. Escrita-incisão.
Essência-escrita. Dita.
Possibilidade anunciada sem véu. Busca que se desloca pro texto.
Pretexto de ir, ficando no papel.

Coexistência



Escrevo não para substituir o sentimento,
mas para evocá-lo.

23 de setembro de 2011

Estado de primavera


E as flores até então adormecidas: Acordam!
A beleza é tanta,
que até os cataventos se põem a dançar.
Sopram o ar,
 dissipando perfumes e confidenciando matizes.
O sentimento hoje, possui pulsação coroada de flores.
Bate perfumado e veste de cores
 suas raízes.
Estar em estado de primavera
é enxergar as coisas,
 com "cabecinha de aquarela".

22 de setembro de 2011

Sem queixas...


Há ocasiões em que não consegues nada,
nem um sorriso, outras em que consegues tudo,
até cartas de recomendação.
Não te queixes, nem te gabes.
Era que os anjos estavam brincando de rapa-bota-tira-deixa…
E a tua história quotidiana é tecida ao acaso dos lances.
Até que sobrevenha o R do rapa-tudo.

(Aí então os anjos te recolherão.)



Mário Quintana in “Sapato florido

Lonjuras


O médico perguntou: O que sentes?
- E eu respondi: Sinto lonjuras, doutor. Sofro de distâncias... 

 Caio F.

21 de setembro de 2011

Tola tentativa.


Coloco você no papel,
mas quando olho bem...
 Você continua em mim.

Consigo


 Solidão é quando a gente se sente hóspede no próprio silêncio.

16 de setembro de 2011

Florindo aquarelas



Começo a achar que são as flores que enfeitam as cores e não o contrário.

15 de setembro de 2011

Por onde seguir...


Acendi a luzinha do teto,
 vasculhei o porta-luvas... E nada!
Gostaria que as respostas de que preciso, vinhessem por escrito,
 tipo manual de instruções do veículo.
Ligo o carro e sigo.
O som até seria uma boa companhia, se cada música não fosse um registro nítido de vivências.
[Certos sentimentos não precisam ser ilustrados com lembranças,
 até por já serem explícitos demais.]
Dirijo horas constatando que não sei por onde ir.
A verdade é que;  às vezes a gente não vai, não por falta de vontade ou de combustível, mas por falta de estrada.
Não há caminho. A ponte está quebrada.
A placa diz: PARE!
Nem cartomante podia "me abrir os caminhos" agora.
 Retorno e fico dando voltas...
[É massacrante dirigir para lugar nenhum.]
Penso no caminho de volta. De volta pra onde?
 Para minha vida talvez?
Continuo o trajeto.
 Não procuro mais atalhos pra voltar.
Sigo em frente e o percurso me dá tempo suficiente,
 para atualizar de forma pormenorizada minha memória afetiva.
Pois é, como eu mesma já escrevi,
 às vezes é preciso mudar a rota, o problema é não ter mapa nenhum para nos guiar nisso.
[E nem adianta procurar no porta-luvas.]

Só as vezes!



Às vezes a verdade pode cortar você como um fio.

12 de setembro de 2011

11 de setembro de 2011

Marcas



Trepida a calçada esmagada
 pela saudade dos pés.

8 de setembro de 2011

Do verbo beijar.

Beijo é uma rima grudada na boca.

3 de setembro de 2011

O que for pra ficar...



Agora, habito à meia-luz.
Estou em algum ponto que não me explico, pois o que a alma possui a razão ignora.
Rota inominável essa que sigo rumo ao burburinho do meu inconsciente.
Já não desacredito de nada, pois o movimento da vida tem uma originalidade inesgotável.
Escrevo e todo meu corpo vai junto.

31 de agosto de 2011

Toque


Há mãos que me afinam em sol.

29 de agosto de 2011

Encontro

O desejo fareja... E me acha.

27 de agosto de 2011

Das coisas...


Das coisas idas, que podem mas não devem se prolongar sobre o presente.
Das coias boas, como afagos, brincadeiras e outras coisas já caídas em desuso.
Das coisas para poucos, como a pura expressão e a falta de disfarce. 
Das coisas lindas, feito mural colocado acima da cabeceira da cama.
Das coisas solitárias, como uma xícara cheia sobre uma mesa vazia.
Das coisas especiais, como o cheiro que fica, mesmo quando a gente ou o outro vai.
Das coisas inesquecíveis, como lembranças encarnadas em cada lugar.
Das coisas doídas, como os passos indo embora e o meu silêncio.
Das coisas nossas, como as que enchem o peito de suspiros e a alma de sorrisos.
Das coisa úteis, como a loucura canalizada para arte.
Das coisas escritas, feito palavras apaixonadas pelo papel.