Não sei exatamente como começar.
Está tudo aqui dentro, observando-me.
Não adianta disfarçar com cegueira inventada, pois lateja, pulsa e se debate,
feito peixe ainda vivo quando retirado da água por nossas mãos.
Rejeito o enfado e me desloco procurando as pegadas deixadas por Deus na poesia.
Tudo que é transcrito pela arte, eterniza-se. - O prazer doído, a alma intelegível,
a espera que atravessa às noites.
Eu sou das que não tem meio-riso, sorrio inteira.
Escrevo sobre as horas que fazem serão nos olhos e covinhas nas minhas bochechas.
Quem ousa dizer a verdade a si mesmo? A poesia ousa.
Ela rasga-me como bisturi afiado e chega as minhas verdades;
redimindo as "pecadoras" e exaltando as "angelicais".
Já tornei público que o que escrevo chega antes de mim,
se refaz,
e aguarda-me para um abraço.
Abraço que conta tudo que sabe, sem dizer nada,
dizendo tudo.















































