1 de novembro de 2013

Pedindo licença poética para o clichê





É um aperto familiar no peito. Aperto que não dói, só abraça.
Não é platônico. É alcançável.
Os ponteiros têm instruções expressas de andarem lentamente quando estamos juntos.
A poesia já não emudece mais. Sinto paz.
Eu pulei o muro das palavras inomináveis para escrever o que sinto.
É um jeito de estar que tem o dengo como itinerário.
É como uma criança que não pensa em ser feliz, apenas é.
Quando dizemos "dorme bem meu dengo", é um já não estar, estando.
Nosso querer bem tem sintonia.
 Eu olho para você e tenho tanta, mas tanta alegria.
E seguimos assim: a gente não precisa de fada, nem de conto. Só
do nosso encontro.

1 de setembro de 2013

Registro



De um jeito insensato e valente
ou as duas coisas,
eu te quis desde o primeiro momento.
Uma vontade de te aprender que não acaba,
querendo que você me aconteça incontáveis vezes pelo caminho. 

3 de abril de 2013

Classificando



Saudade: 1. pedaço de tempo após a despedida; 2. ausência de covinhas;  3. motivo de voltar; 4.urgência do que já foi embora; 5. oposto de esquecimento; 6. fusão da lembrança com a vontade; 7. sinônimo de melancolia; 8. antônimo de indiferença;  9. necessidade de serenatas; 10. inspiração dos poetas; 11. estrofe dos sentidos impressa na alma; 12. visita invisível de quem partiu (ficando).

2 de abril de 2013

Das coisas simples.






Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas.
E me encantei.


Manoel de Barros

4 de março de 2013


Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas pra um dia dar certo.

 Caio Fernando Abreu

14 de janeiro de 2013

O tempo


Há dias nublados. 
Para esses dias Deus providenciou pingos coloridos
 e os chamou de : AMIGOS!

1 de janeiro de 2013

Coisas de Angélica.




Há quem passe reveillon com fogos de artifício por fora e nenhuma explosão por dentro. Estar feliz artificialmente não é pra mim. Nunca suportei nem ser lida de forma rasa, por gente que não tem profundidade nos olhos. O momento me escreve e eu a ele. Nesse ano que termina, eu segui caminhos escorregadios e traiçoeiros, mas Clarice é muito sábia quando diz: “Perder-se também é caminho”. Foi errando os passos, que percebi qual era a estrada de terra firme e cheia de luz. Tive na vida muitos encontros e muitas despedidas (quem me conhece sabe disso). Às vezes a saudade se disfarça de sorriso só pra nos proteger. Saudade é coisa profunda em mim. Mas os afetos, eles sim me preenchem.  Os afetos vão longe e eu também.  Mas prefiro ir longe a ser alguém com a porta aberta e que ainda assim se sente aprisionada. Alguém com medo de sair e se perder, sem se dar conta de que já está. Manuel Bandeira tem razão. "O que não tenho e desejo... É o que melhor me enriquece..." A busca nos move.  A expectativa, o desejado, o não alcançado. Aprendi desde pequena que não é certo empurrar. Seja pessoa, coisas a fazer e menos ainda os sentimentos. A amarga doçura de procurar até encontrar. Sou movida por seguir... Foi assim que sobrevivi. Foi querendo as exceções. O querer não pode transformar-se jamais em “tem que ser assim”. O sentir também não. Sentir não pode ter vias obrigatórias, ninguém sente porque tem ou porque é melhor assim. “Em quem você pensa logo ao acordar, antes mesmo de abrir os olhos e saber-se vivo (a)?” Se você não esta do lado da sua resposta é porque está no lugar errado. “Nunca desista de alguém que você não consegue passar um dia sem pensar”. O pensamento nos despe despudoradamente. A gente pode até não falar, mas pensa. Não telefonar, mas pensa. Não ir procurar, mas pensa. É a famosa sede-de-estar-pertinho. É incrível como mexe conosco. É uma ansiedade que nos faz engordar. Uma tristeza que nos faz emagrecer e uma felicidade que faz a gente se sentir linda estando magra ou gorda. Hoje me pergunto: quando a gente se joga no abismo de olhos fechados é por coragem ou medo de abrir? No tsunami do envolvimento, nunca nos apresentam o meio termo. Nada morno tem graça mesmo, pelo menos não pra mim.  Tenho um jeito bem peculiar de enxergar a vida. Um jeito só meu. É por isso que talho palavras com os dedos. Começo textos novos como quem se dá a chance de viver tudo outra vez. Mas a vida não tem como programar, pelo menos não efetivamente. Não há garantias e às vezes por mais que a gente corra muito atrás, precisamos respirar fundo e sossegar. Já dizia Guimarães Rosa: “esperar nada é, a meu ver - e pelo menos hoje, agora, amanhã já não sei - o melhor a se fazer.” Porque sentir não tem precisão, que dirá pressa.