16 de novembro de 2012

Removi a teia de aranha, retirei todos os cadeados e fui andar de bicicleta.


Nunca me agoniei com o escorrer do tempo, mas admito meu gosto pelo olhar envolvendo-se com a memória. O inesperado me trouxe de volta à escrita.  Escrever histórias ou vivê-las?  O que de fato quero que sobreviva através dos meus escritos? Combinei com as letras de arrumar os armários. Organizar o sentir sempre vale a pena, mesmo que o outro desconheça do que se trata nossa linguagem. Deixo de ser e sou a cada texto. Muitos rascunhos ficaram perdidos dentro da bolsa. Outros, ficaram pendurados nas chaves que esqueci na fechadura pelo lado de fora. Já quis muito mais do que cabia em mim, hoje quero apenas não me ensimesmar no estranhamento do é tão meu. Bom mesmo é abandonar os caminhos que nos levam onde não queremos chegar. Resolvi tingir o asfalto com os pneus da minha bicicleta em cenários diferentes. Dia de sol. Sem nenhuma nuvem de chuva no céu. Descobri que de fato, o "pecado" mora ao lado. É uma luxúria tipo escritos de Jorge Amado: "por fora água parada, por dentro uma fogueira acesa." Adorável de ler, sentindo.