16 de novembro de 2012

Removi a teia de aranha, retirei todos os cadeados e fui andar de bicicleta.


Nunca me agoniei com o escorrer do tempo, mas admito meu gosto pelo olhar envolvendo-se com a memória. O inesperado me trouxe de volta à escrita.  Escrever histórias ou vivê-las?  O que de fato quero que sobreviva através dos meus escritos? Combinei com as letras de arrumar os armários. Organizar o sentir sempre vale a pena, mesmo que o outro desconheça do que se trata nossa linguagem. Deixo de ser e sou a cada texto. Muitos rascunhos ficaram perdidos dentro da bolsa. Outros, ficaram pendurados nas chaves que esqueci na fechadura pelo lado de fora. Já quis muito mais do que cabia em mim, hoje quero apenas não me ensimesmar no estranhamento do é tão meu. Bom mesmo é abandonar os caminhos que nos levam onde não queremos chegar. Resolvi tingir o asfalto com os pneus da minha bicicleta em cenários diferentes. Dia de sol. Sem nenhuma nuvem de chuva no céu. Descobri que de fato, o "pecado" mora ao lado. É uma luxúria tipo escritos de Jorge Amado: "por fora água parada, por dentro uma fogueira acesa." Adorável de ler, sentindo.

9 comentários soprados.:

Rudolfo Kemmer disse...

Nada como o "novo" velho caminho, mas o que pode nos levar a algum lugar, qualquer lugar que seja, mesmo o se auto-conhecer! ;)

Assis Freitas disse...

que queime a fogueira, que os pneus da tua bicicleta continuem a tingir o asfalto e que venham outros e outros,



beijo

Juliana Lira disse...

Adorei a reflexão, é bem como me sinto a respeito do que escrevo. Tantas vezes nem sei se o que escrevo sou eu, ou se eu vou aprendendo com o que escrevo. Muitas vezes não compreendem.
O importante é nunca parar.

Milhões de beijos

Rita de Cássia Martins disse...

Você as letras combinam :) Já estava com saudade...

Franck disse...

Tudo muito lindo por aqui... Bjs!

Refúgio da Alma disse...

Você é mesmo surpreendente!
E não digo isso porque suponho te conhecer, mas sim porque se abre em versos envolventes do fundo da alma, caminhando aos mesmos passos do "tal" Jorge Amado: Adorável de ler, sentindo.

Obrigada por fazer parte de mim.

e.deamici disse...

Preciso com urgência desses "20 segundos" na minha vida...

há palavra disse...

Frases curtas, impetuosas. Gravam-se em sequência. Não fluem: geram-se.

Beatriz Bragança disse...

Querida Angélica:
Já dizia um grande poeta:Tudo vale a pena,quando a alma não é pequena.Por mais que nos custe,devemos estar sempre ainda que,como alguém disse,«morta por dentro,mas de pé,como as árvores».
A sua escrita é uma maravilha.
Um abraço da
Beatriz

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