24 de julho de 2010

Plácido

Quando entrei, era inércia.
Por intuição, em uma cadeira intitulada paciência:
 eu esperei.
Havia muita reserva e com isso pouca conversa.
Percebi desde então,
o prazer subjetivo do silêncio e da confissão.
Tenho uma alma inquieta,
que não permite que eu me prenda,
 ou me perca.
  Dizeres fotográficos são registrados na vidraça do meu corpo,
onde para cada pelo,
 há um arrepio de desejo voraz.
No movimento oscilante de ir para voltar,
eu fico.
Sou flauta tocando convívio doce. 
Permaneço na escrita,
deixando em algum lugar -  não sei onde,
 tudo o que foi fragmentado.
E quanto a ti,
 percebo que há algo de érotico na inteligência,
 pois ela é,
despudoradamente atraente.
Traduzindo minha intenção em palavras,
 eu digo:
queria que ao ler o que escrevo, 
você se sentisse poesia.

10 comentários soprados.:

Ribeiro Pedreira disse...

inescrupulosamente, dá pra sentir-se poesia erótica.

Franck disse...

...'sou flauta tocando convívio doce'... E doce foi ler sua palcidez nesse início de domingo, mesma que nas entrelinhas tenha um arrepio voraz...
bj*

Roberto Montechiari Werneck disse...

Excelente! As palavras e sentidos com gosto de novidade.

Beijão

Saulo Taveira disse...

Nossa!!!
"No movimento oscilante de ir para voltar, eu fico."
Maravilhoso, definitivamente.
Parabéns.

Emili disse...

Quanta inspiração..
Cada vez mais lindo!
Beijos

A Céu disse...

Quem não é poesia ao ler-te?

Lindo, como sempre...

Cheiros!

Benjamin disse...

Por intuição de subjetivo silêncio,
Muitas vezes procurei...
Na sensibilidade aprendi...
Em sublime literatura me entreguei...
Por caminhos desconhecidos me perdi...
Nas duvidas em poesias me achei...
Traduzindo caminhos em livros que nunca li.

aluisio martins disse...

quem sentir uma poesia, chegou à alma do poeta. Isso é para poucos, mas vale a pena sempre. Escrever salva, sim. Faço o mesmo, ainda que poucos me ouçam.
abs

Jorge Pimenta disse...

impossível não o sentir...
um beijo!

naomefazpensar disse...

Belíssimo poema "confissão"!

BRAVO!

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